O Jornal de Negócios entrevistou recentemente (outubro de 2019) um investidor estrangeiro que estima que o mercado imobiliário de Lisboa se tenha valorizado cerca de 66% desde 2016. Contudo, segundo este investidor, um crescimento tão rápido dos preços, num tão curto espaço de tempo, não significa que se esteja a viver uma “bolha” especulativa na capital. Pelo contrário, a procura justifica esse crescimento acelerado. Porém, esta situação não é socialmente comportável, uma vez que “cede” o centro da cidade a compradores internacionais do segmento “premium”, afastando os moradores da zona.

Investimento que deu frutos

O periódico de economia refere-se a Claude Kandiyoti, CEO da Krest Real Estate Investments, empresa com sede na Bélgica e que está neste momento a desenvolver um projeto de imobiliário para habitação em Miraflores (Algés). A par deste desenvolvimento, destinado a portugueses de rendimentos médios, Kandiyoti mantém uma série de investimentos que fez no centro da cidade durante o período da Troika, quando os preços baixaram e a oferta suplantava bastante a procura. O empresário, presente em Portugal há muitos anos, declarou ao Jornal de Negócios que “compreendeu o país” e que percebeu que a situação era temporária.

Neste momento, a valorização de zonas como a Avenida da Liberdade é tão elevada que o empresário belga já não tenciona investir nesta área, embora hesite em recuperar o investimento que fez no início desta década. Será que a tendência de valorização já parou ou vai ainda prosseguir um pouco mais?

Uma estratégia para a habitação

Este conhecedor das tendências do mercado alerta para a necessidade dos poderes públicos (local e central) desenvolverem uma estratégia para a habitação. O processo de “gentrificação”, isto é, de valorização extrema num bairro ou cidade ao ponto de causar mudanças sociais irreversíveis, está a revelar-se em Lisboa com toda a força. A Krest também desenvolve projetos habitacionais a preços razoáveis na Bélgica e aguarda desenvolvimentos das autoridades nesta área.